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Implementação do manejo antimicrobiano

No seu senso holístico mais amplo, o manejo de antibióticos é o manejo cuidadoso e responsável de recursos antibióticos no interesse de uma sustentabilidade de longo prazo.

Existe um consenso geral de que o desenvolvimento e a disseminação da resistência a antibióticos podem ser reduzidos pela limitação do uso dos antibióticos, pelo desencorajamento do seu uso inadequado e pela redução da carga de doença infecciosa1. É essencial que exista um programa eficaz de manejo antimicrobiano para a conquista desses objetivos. Esse programa pode ter impactos significativamente positivos na morbidade e na mortalidade (Fig. 1), além de potencialmente reduzir os custos do atendimento de saúde na faixa de 20-35%2,3. É importante ressaltar que ele desempenha uma função essencial nos esforços de larga escala para ajudar a preservar os recursos antibióticos para as futuras gerações.

APUA

Conteúdo produzido pela Aliança pelo Uso Prudente de Antibióticos (Alliance for the Prudent Use of Antibiotics - APUA) por meio de uma subvenção educacional irrestrita da Abbott Inc.

Decreased mortality through appropriate antimicrobial therapy

Fig. 1 Diminuição da mortalidade por meio de terapias antimicrobianas adequadas
Fonte: adaptado de Kollef, M. et al. (1999) Inadequate antimicrobial treatment of infections: a risk factor for hospital mortality among critically ill patients. Chest 115:462-74 (cited by the CDC, 12 Steps to Prevent Antimicrobial Resistance: Hospitalized Adults) [Presentation]4

Defensores dos programas de manejo

Numerosos países têm defendido os programas nacionais de manejo, com diversas estratégias e graus variáveis de sucesso. As experiências feitas na Bélgica com campanhas em massa na mídia resultaram em uma queda de 36% nas prescrições de antibióticos. Isso incentivou a França a iniciar sua campanha bem-sucedida Antibióticos Não São Mais Automáticos, direcionada ao público e aos clínicos gerais, particularmente na implementação de testes de diagnósticos rápidos para estreptococos em infecções do trato respiratório superior.

Outros programas, como a iniciativa STRAMA da Suécia, o recente Programa de Resistência do Vietnã (VINARES), o Melhor cuidado... Sempre! (Best care… Always!) da África do Sul e o ABS International de UE são direcionados principalmente a esforços de manejo hospitalar. Por outro lado, a campanha Fique Esperto: Saiba Quando os Antibióticos Funcionam dos EUA (Get Smart: Know When Antibiotics Work) é um exemplo de abordagem multifacetada contínua direcionada ao público em geral e às instituições de saúde5-10.

Desenvolvimento de uma estratégia de manejo antimicrobiano

Embora ativistas de raiz trabalhem para a criação de uma legislação que reduza o uso de antibióticos em animais de produção11,12 e, portanto, diminua a contaminação do meio ambiente por antibióticos, é essencial que hospitais, profissionais de saúde da comunidade e o público tenham acesso ao conhecimento sobre o uso racional de antibióticos e, fundamentalmente, iniciem e implementem de maneira consistente intervenções e práticas que reduzam o uso desnecessário de antibióticos, atualmente estimado em >50%13.

De maneira ideal, os hospitais deveriam desenvolver e manter um programa de manejo antimicrobiano (ASP) abrangente que incluísse toda a cadeia de profissionais de saúde. Isso incluiria o farmacêutico, o técnico laboratorial, o médico, a equipe de enfermagem, o setor de zeladoria e as equipes de controle de infecções. Além da comunicação regular, as estratégias que facilitariam as atividades dessa equipe poderiam incluir a restrição formal pela farmácia, educação, diretrizes e algoritmos clínicos, formulários de solicitação de antimicrobianos e um suporte computadorizado às decisões (Fig. 2).

Antimicrobial stewardship strategies for impacting the stages of patient treatment

Fig. 2 Estratégias de manejo antimicrobiano para interferir nas etapas do tratamento do paciente
Fonte: adaptado de MacDougall, C. (2006) Antibiotic Stewardship Programs: proven strategies to preserve medicine's "magic bullets". APUA Newsletter 24(1):1-314

O papel dos diagnósticos rápidos

O elemento “test” do paradigma Test Target Treat é um vínculo essencial da resposta do médico a um paciente infectado e, muitas vezes, é negligenciado em discussões e modelos de manejo. Os diagnósticos rápidos para diferenciar infecções virais e bacterianas facilitam bastante a decisão de se prescrever ou não um antibiótico. Recentes avanços nessa área trouxeram produtos extremamente necessários para ajudar os médicos a estabelecer diagnósticos à beira do leito, na clínica e no campo, mas pode ser feito muito mais para combinar os agentes causadores das doenças com as terapias adequadas. O custo e o acesso limitado ainda representam os principais obstáculos a grande parte do mundo em desenvolvimento.

Impacts of rapid diagnostic testing in optimizing antimicrobial selection

Fig. 3 Impactos dos testes de diagnóstico rápido na otimização da seleção de antimicrobianos
Fonte: adaptado de Goff, DA et al. (2012) Using rapid diagnostic tests to optimize antimicrobial selection in antimicrobial stewardship programs. Pharmacother 32(8): 677-687,1515

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